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Como estou vivendo meu luto… 25 outubro, 2011

Posted by Mônica Góes in Comportamento, Estado de Espírito.
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Quem me conhece sabe que me expresso melhor quando escrevo. Chegou a hora. Acho que estou pronta para escrever sobre isso. Sei que algumas lágrimas vão verter. Mas agora eu tenho um momento para fazer isso. Para fazer isso por mim e para mim.

A melhor coisa que me aconteceu, foi meus gestores me liberarem esta semana. Nunca vivi um luto. Na minha família as pessoas costumam morrer quando tem que ser: velhas. E assim vi pouquíssimas pessoas morrerem. E assim eu tinha uma concepção diferente de luto. E um grande medo da morte. Meu pai também tinha. Mas enfim…

Mas sei o que faz mal ao meu luto. Ao menos a este luto em especial: pressão. Qualquer tipo de pressão neste momento me dói. Oprime. Fui tão resposável com a partida do meu pai. Foi tanta responsabilidade com tanta dor. É difícil vivenciar a dor com tantas coisas para cuidar, tantas pessoas para consolar, tantos atritos para atenuar. Afinal, Mônica é a forte, a sensata, a equilibrada. Pobre Mônica. Ainda bem que eu tive um braço para me segurar assim que eu soube que meu pai iria fazer a passagem. Que eu pude desmoronar. Ainda bem que os ouvidos onde chegaram a notícia do desencarne do meu pai foram os desta pessoa, e não os meus. Ainda bem que eu tive sua mente para pensar nas providências que precisavam ser tomadas comigo. Ainda bem que eu tive um ombro para chorar. Ainda bem.

Eu achei que o luto era vestir preto. Mas me recusei a vestir preto no velório do meu pai. Fui de branco dos pés a cabeça. Eu achei que trabalhar rápido, logo, imediatamente, ia me fazer bem. Porém meu peito estava tão oprimido e meu corpo tão massacrado que qualquer menção a meu pai me fazia chorar. Mas eu estou cercada de tanta gente maravilhosa, meu Deus… nossa. Não tenho uma mansão, um carro de luxo, não tenho dinheiro nem fama. Mas eu tenho tantos amigos. Tantos amigos maravilhosos. E quando eu achei que o luto seria ficar em casa, na cama, no silêncio, em prece, encontrei tantas pessoas para tentar retirar a pressão do meu coração, dos meus ombros, da minha alma. A dor ninguém tira. Ela fica ali… quieta, dormente… as vezes vem, as vezes aquieta, as vezes parece que nem existe, as vezes parece que passou. É tão estranho. Mas tive amigos para me mandar sumir por uma semana. Viajar. Ir à praia. Ouvir música. Sair com meu filho. Brincar com meu cachorro. Fazer nada.

Então meu luto começou buscando de volta meu sorriso. Minha alegria. Meu chefe me cobrou isso de volta. A Mônica alegre, divertida… e saudável. Danei a rememorar coisas engraçadas no Facebook estes dois dias. E quem pensa que é porque estou bem, ou engraçadinha, engana-se. A primeira intenção foi descer e tirar de vista, sem apagar, todos os posts de dor e pêsames que faziam referência ao falecimento de meu pai. Consegui… o que os olhos não vêem, o coração não sente. A segunda intenção foi tentar trazer um pouco de leveza e normalidade à minha vida tão conturbada e agitada. Minha vida sempre pareceu uma terça-feira de carnaval (e confesso que bem que gosto dela assim – risos). Mas está sendo muito bom para mim este retiro. Muito bom.

Por isso, mais do que falar sobre a morte, sobre o morrer, sobre o luto, sobre as reações (que definitivamente são muito diferentes de pessoa para pessoa), eu estou muito agradecida.

Agradecida a Tiago Cajahyba por encher os meus dias de paz.

Agradecida a Carlos Bastos por ter um jeito único de me fazer gargalhar. E por dividir tantas coisas e ser meu suporte amigo em tantos momentos.

Agradecida a minha miga Milene Aguiar simplesmente por existir. E por saber as razões pelas quais sou grata sem que eu sequer precise mencionar.

Agradecida a Alexandre Perotti por ter sido mais que um gestor. Mas um amigo de um coração enorme e uma sensibilidade inestimável.

Agradecida a Jaime Gama. Um mestre amigo que me concedeu, sem sequer imaginarmos, mais uma semana com meu pai.

Agradecida a Eduardo Gomes, que abrindo mão dos seus próprios problemas, tira sempre muito tempo para viver os meus.

Agradecida a meu filho, Henrique Góes, por ser uma criança ímpar, serena, madura, que veio de um lugar de onde, definitivamente não foi o mesmo de onde eu vim…

Agradecida aos meus irmãos, que estão compreendendo a importância da união com meu pai presente ou ausente.

Agradecida à minha família inteira, simplesmente por me permitir fazer parte dela.

Agradecida às burguesas… ahhh as burguesas! 🙂

Agradecidas a todos os meus amigos, colegas de trabalho, enfim… se você está lendo isso, sinta-se abraçado. É porque de alguma forma você faz parte da minha vida.

Obrigada.

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Comentários»

1. beiachy - 26 outubro, 2011

Eu me lembro de uma breve tentativa de diversão noturna numa night em Salvador há uns 15 anos atrás… De lá pra cá as lembranças se atropelam entre a dança do ventre, as peripércias de Henrique, vagas lembranças de ter te enchido a paciência na Ilimit (rsrsrsrs)… Mas o querer bem nunca se foi! Mesmo com toda a distância FÍSICA imposta pelas circunstâncias de vida que nos foram apresentadas. Minha querida amiga, sinto-me abraçada sim e abençoada por ter feito parte da sua história e pode ter certeza que corroboro contigo e te entendo quando você diz que “A dor ninguém tira.”, mas creia que o tempo a alivia e a maturidade nos faz aprender a lidar com ela… Mas por certo, só o tempo tem a capacidade de nos ensinar, cada qual absorvendo a seu modo… Quando quiser conversar ou qualquer coisa… A senhora sabe onde me encontrar, porque no fundo, sempre estive bem aqui. Um forte abraço cheio de muita luz e força, bei.

Mônica Góes - 26 outubro, 2011

Oh, Bei! De onde mais eu poderia tirar o exemplo de força, luta e garra senão de você? Eu sei que posso contar contigo onde estiver. Obrigada pelo carinho, viu? E te cuida pelo amor de Deus! 🙂

Marcela Ferreira - 26 outubro, 2011

EU SO SEI DIZER QUE TE AMO! Mesmo precisando de cuidados, colo, ombro e aconchego, você conseguiu me da tudo isso … me deu colo, me deu seu carinho e força… Eu não sei nem como agradecer por existir na minha vida. Peço desculpas por não ter percebido a tempo que quem precisava muito de tudo isso era você… estou aqui para retribuir tudo, o colo, o carinho, o aconchego, sorrisos principalmente e o que precisar…

…TE AMO COM A PUREZA DAS MANHÃS DE SOL OU COMO A BRISA DA PRAIA… EU SIMPLESMENTE TE AMO…

Nina!!! popô!!!Zezé!!enfim minha irmã!!! a melhor que alguem pode ter


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